segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

A Celebração Eucarística Passo-a-Passo II: Os Ritos Iniciais.

canto de entrada2 Olá caro leitor. Que a Paz de Nosso Senhor Jesus Cristo e o amor de Maria, mãe de Deus (Lc 1,43) estejam com todos vocês.

Dando continuidade a nossa série de artigos que visam esclarecer um pouco mais sobre a Celebração Eucarística, vamos tratar hoje sobre os Ritos Iniciais. Doravante tomaremos como base o documento publicado pelo vaticano chamado Introdução Geral ao Missal Romano, que pode ser adquirido gratuitamente aqui.

Este documento tem por objetivo estabelecer algumas normas gerais referentes às disposições da alma, lugares, ritos e textos a serem utilizados nas diversas celebrações previstas no missal romano.

Podemos ver no número 17 deste documento: É por isso de máxima conveniência dispor a celebração da Missa ou Ceia do Senhor de tal forma que os ministros sagrados e os fiéis, participando cada um conforme sua condição, recebam mais plenamente aqueles frutos que o Cristo Senhor quis prodigalizar, ao instituir o sacrifício eucarístico de seu Corpo e Sangue, confiando-o à usa dileta esposa, a Igreja, como memorial de sua paixão e ressurreição”.

O documento é muito rico e utilizaremos ele em muitos de nossos artigos referentes a normas litúrgicas. Recomendo a leitura deste a todos. Neste artigo, abordaremos o capítulo III, dos itens 46 a 54, que falam especificamente dos Ritos Iniciais da celebração.

Como vimos no artigo anterior, a preparação para irmos ao encontro de Nosso Senhor na Santa Missa começa ainda quando estamos em nossos lares. Preocupações como o horário de saída, vestimenta, Bíblia com as leituras do dia já selecionadas, avisar os amigos que irão nos acompanhar, visita ao sacrário antes do inicio da celebração, o silêncio dentre outros são de vital importância para que possamos preparar nosso espírito e receber celebrarmos assim de maneira piedosa e verdadeira a Paixão de Nosso Senhor.

Os Ritos Iniciais da Santa Missa tem caráter exórdio (introdutório a um discurso), entronizaste e preparatório para a Liturgia da Palavra, com finalidade de estabelecer a comunhão entre os fiéis reunidos e dispô-los para ouvirem devidamente a palavra de Deus e celebrarem dignamente a Eucaristia”(IGMR nº 46b).

Em algumas celebrações que, segundo as normas dos livros litúrgicos, se ligam à Missa (Celebração da Palavra, Casamentos, Batismos, retiros diocesanos e de pastorais, etc.), os ritos iniciais omitem-se ou realizam-se de modo específico. (IGMR nº 46c).

Podemos dividir os Ritos Iniciais da seguinte maneira: Entrada, Saudação, Ato Penitencial, Kýrie (Senhor, tende piedade de nós), Glória e Oração Coleta. A seguir iremos abordar cada uma dessas partes.

  • Entrada:
    É o momento em que todo o povo de Deus já reunido é convidado a cantar com alegria a entrada do celebrante e seus auxiliares, simbolizando a entrada triunfal de Jesus Cristo no meio de seu povo. Em algumas Igrejas, é lido um breve resumo introdutório sobre o tema daquela celebração, sendo seguido pelo canto de entrada. Este deve ser preferencialmente festivo, convidando o povo a louvar e prestar sua ação de graças por estar naquele momento tão extraordinário que é a celebração do Mistério Pascal. É feita então a Procissão de Entrada, que reúne todas as pessoas que irão participar da celebração. São eles os padres auxiliares, diáconos ou ministros da eucaristia que irão distribuir a Sagrada Eucaristia, os leitores e demais colaboradores ordinários da celebração. Fechando a procissão vem o celebrante ou presidente da celebração (Padre ou Bispo que irá celebrar a Missa ordinariamente) acompanhado dos seus diáconos ou acólitos (coroinhas).
  • Saudação:
    Ao chegarem no altar, o celebrante, os padres auxiliares quando houverem, diáconos e ministros fazem uma reverencia profunda, inclinando-se e fazendo uma saudação. Logo depois, o presidente aproxima-se do altar e num ato de veneração visível e emocionante, o beija. Este sinal remete a antiga tradição judaica, indicando que naquele altar será realizado um sacrifício. Em missas solenes, tanto o altar quanto todo o presbitério (parte mais elevada onde fica o altar e as cadeiras do celebrante e seus auxiliares diretos) são incensados.
    Terminado o canto de entrada, o celebrante vai para sua cadeira e em pé, faz o Sinal da Cruz junto com toda a comunidade em sinal de nossa comunhão com a Igreja Católica Apostólica Romana.
    Um dos sinais que podemos saber se estamos em uma celebração Católica autêntica é justamente o sinal da Cruz no Inicio. Muitas denominações asiáticas e ortodoxas não possuem este sinal.
    Logo após o sinal da Santa Cruz, o celebrante faz uma saudação formal a assembléia, prevista para o rito daquele dia. Em Seguida, o diácono ou um comentarista faz uma breve introdução do assunto que se irá abordar, caso o mesmo não tenha sido feito antes do inicio da celebração.
  • Ato Penitencial:
    Este é o momento que a Igreja nos convida a pedir perdão por nossos pecados. Notem que este momento sublime é logo no início da celebração, para que possamos estar purificados e em estado de graça para recebermos Nosso Senhor Jesus Cristo, tanto em sua Palavra quanto na Eucaristia. Devemos pedir perdão por nossas palavras, atos e omissões para que consigamos atingir o perdão do Altíssimo para nossas vidas e assim estar mais próximo de partilhar com ele a eternidade.
    Uma coisa errada é pensar que o ato Penitencial pode substituir a confissão. Vejamos o que diz o texto contido no número 51 da Introdução Geral ao Missal Romano: “... o sacerdote convida ao ato penitencial, o qual, após uma breve pausa de silêncio, é feito por toda a comunidade com uma fórmula de confissão geral e termina com a absolvição do sacerdote; esta absolvição, porém, carece da eficácia do sacramento da penitência.
    O Celebrante convida a comunidade a fazer um momento de silencio, para refletirmos sobre nossas faltas e colocar-las diante de Deus, nosso Pai. Então, toda comunidade professa uma fórmula de confissão geral, a que damos o nome de Ato de Contrição, seguindo-se a absolvição do sacerdote. É possível que o ato de contrição seja substituído por um canto que expresse perdão e penitência.
  • Kýrie, eleison:
    Esta oração é proferida logo depois do ato de contrição ou no fim do canto de perdão e penitência. É a oração que diz Senhor, tende piedade de nós. (Kýrie, eleison). Esta oração aclamam Nosso Senhor e implora por sua misericórdia. Normalmente é executada por todos, alternando-se entre o povo e a schola (clero celebrante) ou um cantor. O celebrante então encarra com a oração: Deus todo-poderoso tenha compaixão de nós, perdoe nossos pecados e nos conduza a vida eterna. Amém.
  • Gloria in excelsis
    O Glória é uma das mais marcantes e lindas demonstrações da unidade universal da Igreja de Cristo com seus fiéis e com sua história de quase 2000 anos.
    Vejamos o que diz o número 53 do IGMR: “O Glória é um antiqüíssimo e venerável hino com que a Igreja, congregada no Espírito Santo, glorifica e suplica a Deus e ao Cordeiro. Não é permitido substituir o texto deste hino por outro. É começado pelo sacerdote ou, se for oportuno, por um cantor, ou pela schola, e é cantado ou por todos em conjunto, ou pelo povo alternando com a schola, ou só pela schola. Se não é cantado, é recitado ou por todos em conjunto ou por dois coros alternadamente.
    Canta-se ou recita-se nos domingos fora do Advento e da Quaresma, bem como nas solenidades e festas, e em particulares celebrações mais solenes
    .”
    Infelizmente a recomendação contida neste documento as vezes não é seguida. É comum você ver o Glória ser substituído por um canto de louvor e aclamação ao Senhor, mas sem a devida letra com o texto do hino original.
  • Oração Coleta
    Este é um outro momento muito importante da celebração, mas que quase nunca damos a devida importância. Seguindo-se o Glória, ouvimos o celebrante nos dar uma ordem direta: Oremos.
    É neste momento que devemos colocar todas as nossas intenções pessoais, como o sufrágio pela alma de um ente querido, a cura de um amigo ou parente, um emprego, uma cura interior, uma providência divina na nossa vida, etc. Para aquela celebração, de maneira contrita(por pensamento) e unidos com o celebrante e a comunidade, elevamos a Deus.
    Esta oração exprime todo o caráter da celebração. Segundo a tradição da Igreja, dirigia-se habitualmente a Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito-Santo, terminando com a conclusão trinitária da seguinte maneira:
    – se é dirigida ao Pai: Per Dóminum nostrum Iesum Christum Fílium tuum, qui tecum vivit et regnat in unitáte Spíritus Sancti, Deus, per ómnia sáecula saeculórum;
    – se é dirigido ao Pai, mas no fim é mencionado o Filho: Qui tecum vivit et regnat in unitate Spíritus Sancti, Deus, per omnia sáecula saeculórum;
    – se é dirigido ao Filho: Qui vivis et regnas cum Deo Patre in unitate Spíritus Sancti, Deus, per omnia sáecula saeculórum.
    Hoje em dia, de acordo com a Sé Apostólica, os países de língua portuguesa concluem as orações em uma frase da seguinte maneira:
    - se é dirigida ao Pai: Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo;
    se é dirigido ao Pai, mas no fim é mencionado o Filho: Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo;
    -
    se é dirigido ao Filho: Vós que sois Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo.

Ficamos por aqui. Espero que tenham gostado do artigo e que ele possa ser útil a todos para melhor compreender as etapas da celebração eucarística e assim participar de maneira mais ativa e confiante da celebração do Corpo e do Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Que Deus os abençoe e os guarde para a vida eterna, Amém!

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